500 hectares restaurados na Serra do Mar: como o projeto deu certo
Quatro anos, três municípios e uma parceria com quem mora na floresta.
A equipe de restauração do projeto Raízes do Mar plantou, em quatro anos, mais de 720 mil mudas nativas em 500 hectares de Mata Atlântica degradada — a maior recomposição do litoral norte paulista.
O dado é expressivo, mas o método interessa mais que a contagem. Em vez de empresa terceirizada, a muda é plantada por moradores das próprias comunidades do entorno.
Renata Campos visitou três frentes de plantio entre Ubatuba e Caraguatatuba. O modelo paga por hectare restaurado e segue monitorando por dois anos — o que cobre manutenção, não só plantio.
Resultado: taxa de pegamento (sobrevivência da muda) de 78%, bem acima dos 55% típicos de projetos contratados por empresa externa.
A explicação dos coordenadores ouvidos: quem mora ali volta para capinar, repor e vigiar. Quem é contratado por diária planta e vai embora.
A espécie mais plantada é o jacarandá-paulista, seguida de pau-brasil e jequitibá. A diversidade é intencional — reflorestamento de uma única espécie é floresta, não ecossistema.
Há crítica. Pesquisador ouvido pela reportagem alerta que 500 hectares representam menos de 1% do que a região perdeu. 'É vitória importante, mas não pode virar desculpa para continuar desmatando em outro lugar.'
A meta do projeto é alcançar 800 hectares até 2028. O financiamento, hoje de fundação privada, tem renovação incerta — o que preocupa a equipe.