Caiçaras ganham manejo de área extrativista no litoral norte
Decisão regulariza uso tradicional de recursos da floresta.
Após sete anos de tramitação, o governo estadual reconheceu a área extrativista caiçara de Picinguaba, em Ubatuba. A decisão regulariza o uso tradicional de palmito, cipó e plantas medicinais por quatro comunidades.
André Tupinambá acompanhou o anúncio. Para os moradores, a novidade não é permissão para extrair — eles já extraíam. É o fim da incerteza jurídica.
A área de manejo compreende 4.200 hectares. Cada comunidade terá plano de uso próprio, com cotas anuais por recurso, definidas em conjunto com técnicos do estado.
Pesquisadores ouvidos avaliam o modelo como equilibrado: garante o modo de vida tradicional e impede a extração predatória por agentes externos.
Há tensão com o turismo. Parte da área é cercada por pousadas e trilhas comerciais. O plano de uso prevê zonas de exclusão — o que já gera reclamação de alguns empresários do setor.
Para a comunidade, o manejo é também economia. A venda de produtos florestais não-madeireiros (óleos, artesanato, alimentos) pode render renda complementar sem desmatamento.
O desafio agora, segundo lideranças locais, é fiscalizar. 'Temos o papel. Falta a presença do estado no território', diz um morador.
A Florava vai acompanhar a implementação do plano nas próximas reportagens.